O New York Times, o Daily News e outros veículos americanos entraram com um pedido de sanção contra a OpenAI num Tribunal Federal de Manhattan. A acusação é direta: a empresa mentiu à justiça ao dizer que não tinha como pesquisar seus sistemas em busca de conteúdo protegido por direitos autorais, enquanto, na prática, já fazia isso internamente.
Numa audiência em abril, um engenheiro da própria OpenAI revelou que a empresa havia conduzido buscas internas no seu corpus de treinamento e que já possuía uma base com cerca de 78 mil conversas do ChatGPT anonimizadas, usadas justamente para medir o quanto estava reproduzindo o conteúdo de terceiros. Ou seja, já sabia do problema, mapeou o problema e disse ao tribunal que não conseguia fazer isso.
Os jornais pedem que o juiz impeça a OpenAI de usar amostras de logs como prova, que aceite como fato que o ChatGPT reproduzia conteúdo jornalístico de forma sistemática e que a empresa pague os honorários gastos pelos demandantes para levantar essas evidências.
A OpenAI, pelo porta-voz, Drew Pusateri, negou tudo e acusou o Times de tentar acessar conversas privadas de usuários à medida que o caso enfraquece.
O que está em julgamento aqui vai além de uma briga entre jornal e empresa de tecnologia. É a questão de fundo da IA generativa: ela pode ser construída sobre o trabalho jornalístico alheio e depois competir diretamente com quem produziu esse trabalho, desviando tráfego e receita, sem pagar nada por isso? Se a OpenAI realmente sabia do problema antes mesmo de ser processada e escolheu esconder isso da justiça, não estamos falando só de violação de direitos autorais, estamos falando de uma empresa que calculou o risco e apostou que valia a pena.
Fonte : Nagib Carrilho / Star FM 105.9.



