Caetité : Os 70 Anos de Son Bastos, o Operário do Rock.

0

Dizem que as cidades do interior guardam um silêncio muito próprio, uma calmaria interrompida apenas pelo vento ou pelo badalar dos sinos da igreja. Mas quem caminha pelas ruas históricas de Caetité sabe que, há mais de meio século, esse silêncio ganhou uma trilha sonora diferente. Uma trilha com peso, alma e o som inconfundível de uma guitarra virtuosa. Nesta quarta (01/07), esse pulsar elétrico completou exatamente 70 anos. 70 anos de Edison Bastos de Assis. Ou simplesmente, para os íntimos da boa música, Son Bastos.

Falar de Son é falar do pioneirismo do rock no sertão baiano. É compreender como um jovem, ainda em 1972, olhou para o horizonte de sua época e decidiu dedilhar caminhos nunca antes navegados por aqui. Sua jornada começou sob a influência mística e calorosa de uma banda de música cigana. Foram 17 anos de (1972 a 1989), dividindo palcos, sonhos e poeira com figuras que hoje habitam a memória afetiva da cidade: Simone e Eduardo Bastos (vozes principais), Baé (violão), Boanerges Chaves (violão), Fábio Silveira (Peréu) no baixo e Jerônimo Brito Costa (bateria). Ali, com a guitarra em punho, Son Bastos lapidava a virtuosidade que se tornaria sua marca registrada.

Mas o destino de quem tem o rock nas veias é a constância. O ano de 1990 pedia mais peso, pedia distorção, pedia a catarse coletiva das arenas. Foi quando Son Bastos fundou a lendária banda Quebra Copos. O nome já carregava o prenúncio da intensidade: era hora de quebrar os moldes, de trazer para o coração da Bahia o melhor do Rock Progressivo, do Rock Psicodélico e do Hard Rock, através dos riffs imortais de Cream, Steppenwolf, The Doors, Deep Purple, Pink Floyd, Jimi Hendrix e Rolling Stones ganharam eco no Alto Sertão Baiano, provando que o rock não tem fronteiras geográficas.

Paralelamente aos palcos e aos amplificadores, Son viveu a solidez de uma carreira de trinta anos como bancário, exercendo com maestria suas funções no Banco do Brasil entre 1985 e 2015. Existe uma poesia bonita nessa dupla jornada. O rigor das contas e a seriedade do ambiente bancário conversava perfeitamente com o espírito livre e a precisão milimétrica de seus solos de guitarra. Hoje, devidamente aposentado das agências, ele desfruta da vida ao lado de sua companheira, a cirurgiã-dentista DRa. Ticiana Fraga. Mas engana-se quem pensa que a aposentadoria significa silêncio.

A prova viva disso aconteceu no ano passado, em 12/07/2025, ao celebrar 35 anos de história da Quebra Copos, Son Bastos mostrou que o tempo respeita os grandes mestres. Longe de se apoiar apenas no saudosismo, a banda anunciou uma nova formação e realizou um retorno triunfal. Ao lado do vigor de Péricles Vinícius (voz), Marcos Vinícius Vilasboas (baixo) e Neto Silveira (bateria), o veterano empunhou novamente sua guitarra, provando que a idade era apenas um detalhe cronológico para quem mantém a alma jovem e pulsante.

Olhar para Son Bastos hoje, no palco ou na vida, é entender que a verdadeira virtuosidade não está apenas na velocidade dos dedos sobre o braço do instrumento, mas na persistência em manter viva a chama da arte. Caetité tem a honra de ter visto nascer e crescer o seu pioneiro do rock. Vida longa a Son Bastos, o homem que transformou o sertão em uma eterna arena de boa música.

Fonte : acervo próprio.

Share.

Embora ninguém possa voltar atrás e fazer um novo começo, qualquer um pode começar agora e fazer um novo fim.

Leave A Reply

Olá vamos conversar!