Pesquisadores da Universidade Técnica da Dinamarca desenvolveram uma tecnologia que pode fazer exatamente isso. A ideia é utilizar um composto de silicone líquido injetado diretamente dentro da ferida. Ao entrar em contato com o local, ela se expande e transforma-se em uma espuma macia, capaz de preencher toda a cavidade, inclusive feridas profundas e de formatos irregulares.
E a espuma tem uma função importante: ela ajuda a retirar o líquido acumulado na ferida, que pode conter bactérias, além de apresentar efeito antibacteriano. Em testes de laboratório, a espuma conseguiu agir contra bactérias multirresistentes em menos de duas horas. A tecnologia foi pensada principalmente para ferimentos graves, como aqueles provocados por explosões ou outros traumas complexos, nos quais um tratamento rápido pode fazer a diferença entre preservar ou perder um membro.
E existe outra possibilidade: utilizar a espuma em situações de emergência ou em regiões onde o paciente demora para ter acesso a um hospital com estrutura avançada. Mas calma, isso ainda não é um tratamento disponível. A startup dinamarquesa Alesac já desenvolveu um protótipo e está trabalhando no aperfeiçoamento da tecnologia. Ela também entrou em um programa de aceleração de tecnologia médica nos Estados Unidos que pode ajudar no caminho de futuras aprovações regulatórias.
A proposta chama atenção porque parte de uma ideia bastante simples: em vez de tentar adaptar um curativo plano a uma ferida profunda e irregular, a própria espuma se adapta ao formato da lesão. É mais um exemplo de como a tecnologia está tentando resolver problemas médicos com materiais que conseguem se adaptar ao corpo. E fica a reflexão: se uma espuma inteligente puder ajudar a controlar infecções e preservar tecidos em ferimentos graves, quantas vidas e quantas amputações poderão ser evitadas quando essa tecnologia finalmente chegar aos hospitais ? Fica a dúvida.
Fonte : Nagib Carrilho / Rádio Web Naftalina.



