O governo indiano mandou um recado claro para a Meta: ‘não tão rápido’. Nesta quarta (01/07), o Ministério de Eletrônica e Telecomunicações da Informática da Índia notificou o WhatsApp para suspender a implementação dos usernames (função que permite se comunicar sem revelar o número de telefone) e exigiu uma resposta em até três dias, sob pena de ação regulatória.
A preocupação não é sem fundamento. A Índia é o maior mercado do WhatsApp, com mais de 850 milhões de usuários, e os indianos perderam quase 3 bilhões de dólares em fraudes online só em 2025. O ministério alertou que a função pode aumentar casos de phishing, golpes de personalização e os chamados digital arrest scams, onde criminosos se passam por autoridades para extorquir vítimas.
A Meta respondeu que o número de telefone ainda é obrigatório para criar uma conta e que construiu múltiplas camadas de proteção contra abusos. Mas um detalhe inconveniente vazou: testes do TechCrunch mostraram que, durante o período de reserva, ainda era possível registrar os usernames imitando o nome do primeiro-ministro Modi e do Banco Central indiano.
É exatamente esse tipo de gap entre o que a empresa promete e o que a realidade entrega que deu munição ao governo. O que chama atenção aqui não é só a decisão em si, é o timing. A notificação saiu dois dias após o anúncio global da Meta. Isso mostra um governo que está monitorando lançamentos de Big Techs em tempo real e disposto a travar um recurso antes que ele sequer chegue aos usuários.
A Índia já bloqueou o Telegram em junho por razões parecidas. O padrão está se tornando claro.
Então, a privacidade que a Meta quer entregar e a segurança que o governo indiano exige são objetivos que andam em direções opostas. E a pergunta real é: quem vai ceder primeiro ? Fica a dúvida.
Fonte : Nagib Carrilho / Star FM 105.9.



