Nesta quinta (11/06), a história da educação no Alto Sertão da Bahia foi celebrada com profunda emoção na Câmara Municipal de Caetité. A Sessão Solene em homenagem ao centenário da Escola Normal de Caetité não foi apenas um protocolo, mas um reencontro de gerações que construíram, através do magistério, a identidade cultural da região.
O plenário foi tomado pelo sentimento de gratidão, especialmente pelas falas das três homenageadas que, com depoimentos distintos, teceram uma colcha de retalhos sobre o que significou ser uma ‘normalista’ na formação de Caetité.
O ponto alto da noite foi a participação de três mulheres que representam a força e a tradição da educação regional:

Maria José Silveira : Como normalista da época, ela trouxe o relato técnico e sentimental de quem viveu o cotidiano da instituição. Sua fala conectou o público à realidade de uma época em que o magistério era um sacerdócio, pontuando a importância da formação acadêmica que a Escola Normal proporcionava no interior da Bahia.

Maria Terezinha de Castro : Vinda de Riacho de Santana, a ex-aluna da turma de 1953 emocionou a todos ao retornar, aos 90 anos, ao mesmo salão onde, há sete décadas, celebrou sua formatura : ‘Foi nesse salão nobre que eu dancei a valsa de formatura. Onde é que eu pensava estar aqui, 73 anos depois ?’, relembrou, comovida. Em seu discurso, ela homenageou mestres que marcaram sua trajetória, como Dona Irani Público Montenegro e Professor Jerônimo Batista Neves, finalizando sua participação com o canto do hino a Caetité e um tributo a Anísio Teixeira.

Marilu Castro Cardoso : Também vinda de Riacho de Santana, Marilu trouxe uma perspectiva poética à cerimônia. Em sua fala, ela refletiu sobre a missão de educar, enfatizando como o legado de uma instituição se perpetua através das relações humanas. Ao declamar versos sobre o encontro e a saudade, Marilu destacou que a educação é, acima de tudo, um ato de transformação e acolhimento.
A sessão destacou a relevância do projeto ‘Repositório da Escola Normal de Caetité’. A iniciativa, que tem se mostrado essencial para a historiografia local, visa digitalizar e organizar o vasto acervo da instituição — que remonta à construção da vila escolar em 1928, conforme registros do jornal A Penna.
Ao longo da noite, foi lembrado que a Escola Normal foi o solo onde germinaram importantes instituições, como o Instituto de Educação Anísio Teixeira (IEAT) e o Campus VI da UNEB.
Mais do que celebrar o passado, a homenagem reafirmou que a Escola Normal de Caetité segue viva na memória coletiva e no exemplo de mulheres como Maria José, Maria Terezinha e Marilu, cujas vidas se confundem com a própria história da educação no nosso Alto Sertão.

Após os discursos, o momento mais esperado foi a entrega da placa de homenagem a personalidades, famílias e instituições que mantêm viva a memória da Escola Normal. A lista de homenageados incluiu :
Educadoras e Representantes : Diane Neves (representando Elenita Magalhães), Zulmerinda Dourado Nunes, Ana Cardoso de Azevedo, Jandira Aguiar Ledo, Maria José Silveira de Oliveira, Joseny Meira, Nice Amaral, Eponina Zita dos Santos Gumes (in memoriam), Zélia Bastos, Helena Alves dos Santos (in memoriam), Helena Silva Pereira, João de Oliveira Chaves Neto, Maria Augusta de Souza Azevedo (representada pelas filhas Maria Sueli e Simone Celeste) e Raquel Pereira Carneiro (in memoriam).
Instituições e Projetos : Arquivo Público Municipal de Caetité, Secretaria de Educação (representada pelo secretário Jorge Antônio dos Santos), Prefeitura de Caetité (representada pelo vice-prefeito Walmique Trindade), Academia Caetiteense de Letras (representada por Zezito Rodrigues), UNEB Campus VI Caetité (representada por Keila Mendes), Bloco Unidos do Adobão (representado por Poliana Gomes), projeto Repositório Escola Normal de Caetité (representado por Fernanda Oliveira e Rosely Meira), Museu do Alto Sertão do Estado da Bahia (representado por Nivaldo Osvaldo Dutra e Luciana Alves Pereira), NTE13 e a própria Câmara de Vereadores.
Fonte : acervo próprio.



