O Carnaval de Salvador não foi feito apenas de trios elétricos. Enquanto Salvador fervia sob o sol e os circuitos tradicionais transbordavam axé, o coqueiral da Praia de Piatã, com o tradicional Palco do Rock (PDR) provou que a cena underground é um pilar fundamental da cultura baiana, celebrou 32 anos com uma grade que mostrou a força da resistência da música autoral baiana entre os dias 14/02 e 17/02. Com uma grade que misturou o pop rock, indie rock, punk rock, rock alternativo e diversas vertentes do metal como o : heavy metal, thrash metal, power metal, o evento reuniu um público considerável nos quatro dias, sendo o refúgio da ‘sociedade alternativa’.

No sábado (14/02), aconteceu a abertura do festival que ficou marcada pela energia das gerações. O destaque visual ficou com a banda Carnage, formada por adolescentes que provaram que o rock não tem idade. A noite seguiu pesada com bandas como Honoris Rock, Orelha Seca e o veterano Márcio Mello. Com destaque também para a banda de Epic/Death/Doom Metal soteropolitana Malefactor. E o momento do ápice no primeiro dia, foi com a banda capixaba Dead Fish, que celebrou seus 35 anos de história, com a turnê do álbum recente ‘Labirinto da Memória’ (lançado em 2024), porém em 30/01 teve o lançamento da edição deluxe do álbum com mais duas músicas inéditas : ‘Entre o Fim e o Começo’ e ‘Orbitando’.
O público, já devidamente acampado, transformou a areia em um verdadeiro mar de camisetas pretas.

Banda Eskrota : Yasmin Amaral (guitarra e voz), Tamy Leopoldo (baixo) e Jhon França (bateria).

a cantora Thathi (guitarra) e a sua banda de apoio : Yago Pedroza (baixo), Tiago Lourenço (teclados) e Luiz Müllem (bateria).

Banda Auro Control : Lucas de Ouro (vocal), Lucas Barnery (guitarra), Thiago Baumgarten (Bonga) [baixo]e Davi Britto (bateria)
O domingo (15/02), foi marcado pela representatividade feminina e também pela diversidade. A programação trouxe um brilho especial com a presença da baiana Thathi, trazendo uma mistura envolvente de pop rock, indie rock e MPB. Logo em seguida, tivemos a banda paulista Eskröta, que entregaram um thrash metal visceral. E a banda soteropolitana Auro Control, que trouxe um toque mais melódico com seu power metal potente, apresentando seu álbum 100% autoral ‘The Harp’ (lançado em 2024). A noite também contou com o som agressivo das bandas Cobra de Coleira, Cartilha do Ódio e encerrando o segundo dia de forma épica, teve a banda pernambucana Alkymenia.
O clima de ‘família do rock’ se consolidou com a presença de marcante de mulheres na linha de frente e muitas famílias veteranas com crianças, reforçando o clima de cidadania do evento.
A segunda (16/02), foi o dia mais baiano e nostálgico.
A banda Vivendo do Ócio retornou ao Palco do Rock, que fez o público cantar em uníssono na areia de Piatã. Martin Mendonça (guitarrista de Pitty), que reforçou a conexão entre o rock feito na Bahia e o cenário nacional.
Ainda tivemos como destaques no terceiro dia, as bandas : Professor Doidão e Os Aloprados, Iracema Improta, Espécie Vil, Bayside Kings (SP) e Bad Maria.
Foi o dia perfeito para ver as famílias descansando nas barracas de camping durante o dia, aproveitando a brisa do mar e a segurança do evento, para aguentar o ritmo da noite, que contou com bandas autorais em ascensão.

Vivendo do Ócio : Jajá Cardoso (guitarra e voz), Davide Bori (guitarra), Luca Bori (baixo) e Gabriel Burgos (bateria).
Martin Mendonça (guitarrista da cantora Pitty)

Professor Doidão e Os Aloprados
Na terça (17/02), foi o grand finale histórico, o encerramento do festival. Este foi um dos dias mais aguardados, que reuniu os maiores nomes do peso nacional.
A noite começou com as bandas Antônio Sem Medo, Estilhaços, Aztlán e Clariana.
A banda mineira Black Pantera subiu ao palco e fez um dos shows mais enérgicos do ano, trazendo o crossover thrash metal. Com um show que foi uma aula de crítica social, representatividade, resistência e luta contra o racismo, em uma performance foi impactante, que preparou o terreno para a lendária banda paulista Ratos de Porão, liderada por João Gordo, que trouxe a turnê dos 40 anos de estrada, encerrando a edição 2026 do Palco do Rock em alto estilo. O público estava em êxtase, com a maior roda de mosh, que celebrou essa história, em um sentimento de irmandade com braços erguidos e o pôr do sol dando lugar a um show de luzes vibrantes.

a cantora Clariana e sua banda de apoio : Ângelo Canja (guitarra), Yago Pedroza (baixo), Luiz Müllem (bateria).

Black Pantera : Charles Gama (guitarra e voz), Chaene da Gama (baixo) e Rodrigo Augusto (Pancho) [bateria].

Ratos de Porão : João Gordo (voz), Maurício Nogueira Pinto (guitarra), , Antônio Araújo (baixo) e Boka (bateria).
a banda se apresentou em uma formação improvisada devido ao guitarrista Jão (que quebrou um dedo da mão às vésperas) e o baixista Juninho (que estava nos Estados Unidos).
A edição de 2026 termina com a certeza de que, em Salvador, o rock é mais do que um gênero musical, é uma resistência que tem endereço certo: o Coqueiral da Praia de Piatã. O auge da ‘sociedade alternativa’, com o coqueiral lotado e uma energia de despedida que promete o retorno em 2027.
Fonte : acervo próprio.



