Na última quinta (02/04), no auditório da Casa Anísio Teixeira, aconteceu o lançamento do livro ‘Se não me falha a memória’, que celebra a vida, o legado e a história de Alberto Marcos Lacerda Ledo (popularmente conhecido como ‘Negão’), foi uma noite de ‘saudade transformada em eternidade’, família e amigos se reuniram no auditório da Casa Anísio Teixeira para cumprir o último desejo dele.
Foi muito além de uma cerimônia editorial, que também celebrou a vida e das histórias de um homem que marcou a comunidade com sua autenticidade e bondade.
Publicada pela editora Café Com Letras, a obra é um registro afetivo e biográfico que Alberto desejava ver finalizado. O livro foi organizado por suas filhas, Ana Júlia Silva Lédo e Maria Clara Silva Lédo, que assumiram a missão de preservar a voz e as histórias do pai, publicando o texto integralmente conforme o original.

A publicação in memoriam cumpre o papel de imortalizar as narrativas de Alberto Lédo, garantindo que suas lembranças, agora impressas em papel offset, continuem a ‘não falhar’ na memória de quem fica.
A obra possui 44 páginas e com formato de bolso, traz crônicas de uma vida dividida entre o cotidiano e as lembranças de juventude. No capítulo intitulado ‘Fugindo para casa ou voltando para casa’, Lédo narra com simplicidade e detalhes nostálgicos os tempos em que estudava no Colégio Trajano Camargo, em Limeira/SP, e a constante saudade que sentia de Caetité/BA, alimentada pelas cartas que trocava com sua mãe.
A apresentação da obra, escrita por Norma de Castro Almeida, destaca a principal marca de Alberto (a bondade) : ‘O que sobressaía em Alberto era a sua bondade. Estava sempre pronto a socorrer a quem dele precisasse: ricos e pobres não fazia distinção’, afirma o texto de introdução.
O lançamento no auditório da Casa Anísio Teixeira foi um tributo à trajetória de um homem que viveu intensamente suas relações e deixou uma marca profunda na árvore genealógica da família Silveira. Com uma tiragem limitada de 100 exemplares na primeira edição, o livro torna-se um item de valor histórico e sentimental para a comunidade local.
Um dos momentos mais tocantes da noite foi a leitura de uma homenagem escrita por José William. O texto pintou um retrato vívido de Alberto: um homem que gostava de filosofia (leitor de Nietzsche, Freud e Jung), um ‘paizão’ dedicado e uma figura polêmica por sua autenticidade inabalável, capaz de transitar com a mesma naturalidade entre o rico, o pobre e o ‘submundo da malandragem’.
A homenagem relembrou momentos de sua despedida, citando figuras queridas como o Monsenhor Adhemar, os irmãos Ernesto, Cláudio e Humberto, e o amigo Tõe Calango, que conduziu o Jeep na ‘última viagem’ de Alberto.
Uma mesa decorada exibia o livro, enquanto uma lista de presença colhia mensagens de carinho dos amigos que fizeram questão de comparecer.
A programação seguiu com a seção ‘Quem foi Alberto Marcos Lacerda Ledo’, revelando sua faceta de poeta. Foram recitados versos seus, como os da poesia ‘Eu sou um bicho doido’, que demonstra sua alma livre e conectada à natureza e ao asfalto. Também houve a leitura de trechos marcantes do livro, focando em suas memórias de infância e juventude, como a história da camisa amarela que ele deu a um andarilho em um dia de frio.
No encerramento, a mensagem final da família resumiu o espírito da noite: ‘Este livro é a nossa forma de dizer que a saudade nunca apagará a beleza da sua história. Hoje não nos despedimos; nós celebramos, agradecemos e eternizamos.’ Que logo depois seguiu para a sessão de autógrafos onde a família assinou exemplares e escreveu dedicatórias especiais, entregando a obra aos amigos mais próximos.
O evento foi finalizado com um coffee break, onde os presentes puderam trocar lembranças e histórias sobre Alberto, reafirmando que, como dizia o roteiro da noite, sua história continua viva em cada gesto de amor e em cada ensinamento deixado.
Fonte : acervo próprio.



