Neste sábado (28/03) no auditório da Casa Anísio Teixeira, tivemos a apresentação da peça ‘Confissões de Uma P.U.T.A.’, baseada na música ‘P.U.T.A.’ (da banda Mulamba).
É um espetáculo-manifesto, um grito de resistência contra as diversas formas de violência que afetam as mulheres, com um foco especial no abuso sexual, que foi apresentado pela advogada criminalista e atriz DRa. Bruna Carvalho Rocha.



Esta performance mexeu com as emoções da plateia e provocou reflexões importantes sobre os direitos das mulheres e a luta pela igualdade. Sua performance, carregada de emoção e intensidade, foi um reflexo da sua paixão pela causa feminina e pela luta contra a violência sexual. Com uma presença marcante no palco, Bruna conduziu o público a uma imersão profunda nas questões que envolvem o abuso e as agressões sofridas pelas mulheres, levando todos a refletirem sobre a urgência de ações concretas para a mudança dessa realidade.
Com temas delicados de uma maneira forte e direta, sem fugir do impacto necessário para chamar a atenção para essas causas urgentes.
Reforçando que a escolha do tema e a performance intensa da peça trouxeram um forte recado ao público: é necessário continuar a luta por igualdade e contra todas as formas de violência. Em um momento em que se fala tanto em direitos humanos, não podemos nos calar frente a abusos, e essa apresentação foi uma maneira poderosa de manter esse grito bem alto.
E logo depois tivemos uma roda de conversa mediada pela advogada DRa. Suellen Sampaio, especialista em família e patrimônio, além da psicóloga DRa. Stephanie Almeida.
E também com a estrela da peça, a advogada criminalista e atriz DRa. Bruna Carvalho Rocha, conectando o drama do palco às batalhas diárias do judiciário e do consultório.


A psicóloga Stephanie Almeida trouxe um alerta voltado ao silenciamento e a violência psicológica, tratando sobre o gaslighting social (a tática de invalidar o relato da mulher através do estigma da ‘loucura’.) ‘A mulher que sofre violência ainda tem seu lugar de fala questionado. Dizem que ela está vendo demais para que ela duvide da própria sanidade’, pontuou.
A advogada DRa. Suellen Sampaio desmistificou as amarras financeiras que muitas vezes mantêm as mulheres em ciclos de abuso (sobre a questão doEscudo do Direito de Família). Ela destacou a violência patrimonial e a importância de ferramentas como o contrato de união estável e o planejamento de bens : ‘O Judiciário muitas vezes é invisível para essa mulher, e precisamos de um olhar sensível que vá além da letra fria da lei’, ressaltou.
A plateia não foi mera espectadora; tornou-se parte do manifesto:
– Lu emocionou a todos ao narrar a fuga de uma familiar que dormiu em rodoviárias para escapar de um ciclo abusivo, reforçando o papel da família no acolhimento sem julgamentos.
– Géssica Silva, em um relato histórico, revelou como o diagnóstico tardio de autismo a tornou vulnerável ao abuso por anos : ‘Estou chorando, mas estou falando. A terapia me ensinou que minha voz é meu direito’, declarou. Compartilhou sua jornada como mãe solo e mulher autista, revelando como o diagnóstico tardio a ajudou a entender por que demorava a perceber os sinais de abuso. Seu relato de independência e superação foi um dos momentos mais aplaudidos da noite.
– Géssica Ohana (Coletivo Negras Diversas), trouxe a perspectiva racial e biológica, lembrando que o Brasil foi fundado sobre o estupro colonial de mulheres negras e indígenas, e que a mudança exige que os homens também ocupem seus espaços de discussão.
O evento encerrou com uma nota de esperança realista: o relato de como até mesmo o público masculino em Caetité começa a buscar a psicoterapia para quebrar ciclos de violência.
Fonte : acervo próprio.



