Neste sábado (18/07), aconteceu o tradicional Santana Rock, dentro do Barracão Cultural da Festa de Sant’Ana. Essa edição ficou marcada como uma das mais confessionais e emocionantes, sendo um grande encontro de memórias, pertencimento e puro sentimento. O evento foi tradicionalmente dividido em duas partes (antes e depois da novena), unindo a força do rock autoral a tributos inesquecíveis que mexeram com o coração do público.

Na parte da tarde, abrindo os trabalhos, tivemos a Lion Soul (na estrada desde 2019), apresentando sua nova fase em 2026. Com a entrada de Péricles Vinícius (baixo), juntando-se a Pedro Costa (voz), Neto Silveira (guitarra) e Mael Magno (bateria), a banda remodelou seu som. Mantendo a essência do reggae (como Scambo e Adão Negro), o foco agora se expandiu para o rock, pop rock e MPB. No repertório, além de clássicos de Barão Vermelho, Raul Seixas, O Rappa e Charlie Brown Jr., apresentaram as autorais ‘Fogo’ (reggae), ‘Amanhecer’ (reggae), ‘Gole de Rum’ (blues/rock) e ‘Siga Sem Pressão’ (remodelada e rearranjada para uma roupagem pop rock).

Na sequência, a Natural Hate, que realizou uma turnê pela América do Sul em 2019, trouxe o thrash metal para o Barracão. Celebrando seus 15 anos de história completados neste ano, o grupo apresentou um repertório 100% autoral em inglês e português, passeando pelos álbuns ‘Delivery Service Of Chaos’ (2012), ‘Welcome To Underground’ (2017) e o EP ‘Seguir Em Frente e Resistir’ (2024). Felipe Santos (Calango) [baixo], um dos fundadores da banda, retornou para completar o power trio ao lado de Vinícius Toledo (guitarra e voz) e Helbão Carvalho (bateria).

Fechando a primeira parte do Santana Rock, a banda Projeto Secreto trouxe sua mistura de rock, pop, blues e MPB, apresentando as faixas autorais do EP ‘Conte Seus Segredos Pras Flores’. Comandados pelo carisma do Prof. Claudinho (voz), ao lado de João Duane (guitarra e vocal de apoio), Clériston Gomes (baixo) e Sandino Queiroz (bateria), eles consolidaram seu espaço com composições poéticas e lúdicas sobre o cotidiano da cidade (‘Bota o Pé Na Trilha’, ‘Borboletando’, ‘Sara Lu’, ‘O Aniversário de Quincas Berro D’Água’, ‘Caminhei’, ‘Amortecedor’, ‘Destilando Poesia’, ‘Êta Aquáridas’ e ‘Blues do Miguilim’), encerrando a tarde em alto estilo.



A programação da noite, após o momento de fé da comunidade durante o novenário em louvor à Senhora Sant’Ana, foi reaberta com a cantora e compositora Cárla. Carregando a frase ‘Girl Power’ estampada nas costas, a ‘princesa do rock caetiteense’ representou a força feminina no palco trazendo o pop rock/indie. O repertório homenageou nomes como Pitty, Rita Lee, Paula Toller, Cássia Eller, Virginie Boutaud, Kate Bush, Blondie, Cyndi Lauper, Marina Lima e Marina Sena, além de incluir autorais como ‘Calma’. Ela ainda transformou o palco em um manifesto de união ao convidar as cantoras Rayssa Almeida e Andreza Conzê, além da guitarrista Júlia Matos, para participações especiais. Na plateia, familiares e amigos vestiam camisetas personalizadas com a frase ‘Cárla: Princesa do Rock Caetiteense’, ideia inspirada pelo jornalista e influenciador cultural João Victor Carvalho para celebrar o protagonismo feminino.

O ponto alto da nostalgia e do respeito à história veio com a pioneira Quebra Copos, celebrando seus 36 anos de estrada (desde 1990). Antes da apresentação, a exibição de um mini-documentário no telão do Anfiteatro (Redondo) contou a trajetória de seu ilustre fundador e guitarrista, Son Bastos, marcando o momento mais sensível do festival. O público acompanhou emocionado a narrativa de quem abriu caminhos para gerações inteiras de músicos quando o estilo ainda enfrentava forte preconceito da sociedade local, além de um troféu entregue pelo secretário de Cultura, Jair Soares, com os dizeres : ‘Em reconhecimento a sua valorosa contribuição para a música de Caetité. Sua dedicação e talento, ajudaram a preservar, fortalecer e enriquecer a cultura musical da nossa terra, inspirando gerações e deixando um legado que permanecerá vivo em nossa história’.

No palco, o homenageado Son Bastos (guitarra), juntou-se aos músicos da nova geração que compõem a atual formação : Péricles Vinícius (voz), Marcos Vinícius Vilasboas (baixo) e Neto Silveira (bateria), entregando o melhor do rock progressivo e psicodélico (Cream, Steppenwolf, The Doors, Deep Purple, Rolling Stones, Pink Floyd e Jimi Hendrix).

Logo depois, a Fire System manteve o Anfiteatro lotado com uma viagem sonora impecável. Formada por Renan Ribeiro (voz), Joselittor Oliveira (baixo), Yuri Araújo (guitarra) e Aloísio Paulo (bateria), a banda conectou gerações através de hinos atemporais, transitando entre o rock progressivo, rock psicodélico e pop rock nacional, com sucessos de Pink Floyd, Dire Straits, Chris Isaak, R.E.M., Men At Work, Barão Vermelho (Frejat e Cazuza) e Raul Seixas.


Encerrando a noite em alto estilo, a banda Sagarana subiu ao palco celebrando seus 15 anos de história. Formada por Samuel Neves (guitarra e voz), Albert Lobo (guitarra), Roberto Laranjeira (teclados), Éder David (baixo) e Deka Júnior (bateria), o grupo apresentou o Especial Engenheiros do Hawaii e contou com a participação especial do músico e Secretário de Cultura, Jair Soares. O momento mais tocante da apresentação foi o tributo à querida e saudosa Débora Mares, professora de piano da Casa Anísio Teixeira, falecida na virada do ano. Embalado pelo pop rock dos anos 80 e 90, o festival encerrou sob aplausos calorosos, provando que Caetité é, genuinamente, a cidade do rock.
Fonte: Acervo próprio.



