Caetité : 7º Seminário Setembro Amarelo reúne comunidade na UNEB Campus VI sob o tema ‘Escutar a Vida’.

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Nesta terça (29/09), O auditório da Universidade do Estado da Bahia (UNEB) Campus VI sediou a 7ª edição do Seminário Setembro Amarelo, evento idealizado e organizado pela psicóloga Elizete Andrade. Com o tema central ‘Escutar a Vida’ e a proposta de refletir sobre ‘Escutar é estar presente’ e ‘Falar sobre o que sentimos também é uma forma de cuidado’, o encontro reuniu dezenas de estudantes, profissionais e moradores da comunidade em uma noite dedicada à empatia, ao acolhimento e à prevenção do suicídio.

Durante a palestra e apresentações em slides projetadas no evento, a abordagem ressaltou que escutar a vida vai além do som das palavras. Conforme apresentado nos tópicos de reflexão do seminário, escutar envolve dar atenção aos múltiplos sinais da existência humana:

– Escutar a dor e o silêncio;

– Escutar o outro e os afetos;

– Escutar a alegria e o pedido de ajuda;

– Escutar o corpo e o cansaço;

– Escutar o que não foi dito para reconstruir a esperança.

A psicóloga Elizete Andrade destacou que a prevenção passa pelo autoconhecimento e pela disposição de enxergar além das aparências : ‘Nem toda dor grita, mas toda vida merece ser escutada antes que o silêncio vire ausência’, pontuou ela, ressaltando a urgência de estarmos verdadeiramente presentes para aqueles que nos cercam.

O seminário destacou a sensibilidade e a arte como ferramentas essenciais no fortalecimento da saúde emocional. A discente do curso de Letras da UNEB Campus VI, Edivânia Moraes, compartilhou com o público como a literatura se tornou uma grande aliada em sua trajetória pessoal : ‘Eu utilizo essa escrita mesmo como forma de cura. Porque a gente precisa buscar esses mecanismos, né? Precisa buscar o que faz bem dentro de tantas coisas, dentro de tanta correria que a gente tem. Então essa minha válvula, esse meu caminho de luz é a escrita.’

Em seguida, Edivânia emocionou os presentes ao declamar seu poema autoral, intitulado ‘Renascer de Luz’ :

‘Havia outra em meu peito guardada.

Uma estranha vestida de pressa e de dor,

que andava meus passos, trazia a jornada,

sem ter minha essência, sem ter todo o meu amor.

Uma alma encolhida que a vida trazia,

um fardo pesado de tanto tentar.

Mas há tempestades que vêm para o bem,

fazem tudo fluir e os nós desfazer.

Faz um ano que amenizou essa dor,

e um novo silêncio bateu em meu ser.

Desfez a escuridão, a coragem surgiu,

a força florou,

pois a mente é um labirinto de imenso poder,

que cria tormentos que faz doer.

É preciso escutar o que o peito quer dizer

e ter coragem de se transformar.

Cuidar da saúde, cuidar da alma e da mente

é ato de amor e de um eterno recomeçar.

Ninguém precisa carregar o mundo sozinho.

Pedir ajuda é o passo para se curar.

Não desista da vida, acredite em você,

pois és capaz de sobreviver.

De qualquer tormento, superar.

Acredite que cada dia tem sua chance de recomeçar.’

Durante as discussões, também foram abordados os impactos do estilo de vida contemporâneo e do uso excessivo de telas nas relações interpessoais. Utilizando como metáfora a obra ‘A Gaiola das Aves’, de Rubem Alves, refletiu-se sobre como as pressões por produtividade podem aprisionar os sonhos e afastar as pessoas de sua essência. O debate enfatizou a necessidade de desacelerar, olhar nos olhos, estender as mãos e formar indivíduos que valorizem a vida acima de títulos ou cobranças externas.

Um dos momentos mais tocantes da noite foi o relato de Daniela (moradora do Bairro da Chácara), que compartilhou abertamente sua história de superação contra a depressão e tentativas de suicídio. E ela relatou os períodos em que enfrentou abusos e buscou no álcool um refúgio para suas dores, até encontrar forças e apoio para transformar sua vida : ‘Muitas das vezes eu me escondia por trás de um sorriso. Mas hoje, de olhar para mim e ver que eu realmente venci, tenho motivos de agradecimento e de saber que eu superei’.

Ela concluiu seu depoimento reforçando que o sofrimento pode ser superado quando há abertura e acolhimento : ‘Que possamos ser mais humanos, olhar no olho, estender a mão e ter fé em Deus em primeiro lugar’.

A realização do 7º Seminário Setembro Amarelo reforçou a união entre a comunidade acadêmica, profissionais da saúde e o comércio local. O evento contou com o apoio de diversas entidades e marcas parceiras abaixo :

Fonte : acervo próprio.

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Embora ninguém possa voltar atrás e fazer um novo começo, qualquer um pode começar agora e fazer um novo fim.

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