Quatro estados americanos estão exigindo da Meta uma multa de 1,4 trilhão de dólares, quase o valor de mercado inteiro da empresa, estimado em 1,5 trilhão. A acusação é direta: a empresa teria projetado o Facebook e o Instagram para viciar adolescentes, priorizando o engajamento acima de qualquer preocupação com saúde mental.
O número assusta justamente pelo que representa. Os procuradores-gerais chegaram a esse valor multiplicando o número estimado de jovens afetados pelo total de violações previstas em lei. No total, 33 estados entraram com algum tipo de ação contra a Meta, o que mostra que não estamos falando de um caso isolado, mas de um movimento coordenado.
A Meta, claro, nega tudo. O argumento da empresa é que vício em redes sociais não é um diagnóstico psiquiátrico reconhecido, portanto ela não poderia ter mentido ao dizer que suas plataformas não eram viciantes. É uma defesa tecnicamente interessante, mas que ignora o que documentos internos da própria companhia já mostraram ao longo dos anos.
O julgamento está marcado para agosto, e mesmo que a multa final seja uma fração dos 1,4 trilhão de dólares pedidos, o precedente que esse caso pode abrir para a responsabilização das plataformas sobre o comportamento dos seus algoritmos é enorme. Então a questão que fica não é se a Meta vai pagar 1,4 trilhão de dólares (provavelmente não vai), é até onde vai a responsabilidade de uma empresa quando o produto que ela vende é, em alguma medida, o tempo e a atenção de uma criança.
Fonte : Nagib Carrilho / Star FM 105.9.



