Caetité : Alpha Polo Unicesumar realiza mesa redonda sobre violência contra a mulher na era redpill.

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Nesta terça (30/06), o Alpha Polo Unicesumar promoveu uma roda de conversa de importante relevância social, com o tema ‘Violência Contra a Mulher : Perspectivas Jurídicas e Psicológicas na Era Red Pill’. O evento que integrou as ações do projeto ‘Ano Todo Por Elas’ e foi direcionado especialmente aos estudantes da instituição com o objetivo de conscientizar e debater as novas nuances do combate à violência de gênero.

O debate foi conduzido por duas especialistas: a advogada criminalista DRa. Bruna Carvalho Rocha e a psicóloga Stephanie Almeida, que uniram suas respectivas áreas para traçar um panorama completo sobre os sinais de abuso, os mecanismos de defesa legal e o crescimento de discursos misóginos na internet.

A psicóloga Stephanie Almeida abriu o espaço de discussão detalhando como a violência psicológica se instala e se desenvolve de forma silenciosa dentro dos relacionamentos. Durante sua explicação, foi apresentado o Ciclo da Violência Contra a Mulher, composto por quatro fases que se repetem consecutivamente:

  1. Acúmulo de Tensão: Onde as brigas e as opressões começam a se intensificar.

  2. Explosão Violenta: O momento em que a agressão (seja verbal, psicológica ou física) de fato acontece.

  3. Desculpas/Culpa/Remorso: O estágio em que o agressor demonstra arrependimento e tenta culpar fatores externos ou a própria vítima pelo ocorrido.

  4. Lua de Mel: Um período de aparente tranquilidade, repleto de promessas de mudança e demonstrações de afeto, que serve para prender a vítima na relação até que o ciclo recomece.

Stephanie também alertou o público sobre frases cotidianas que servem como sinais de alerta para a violência psicológica e a manipulação emocional. Expressões como ‘Ninguém vai te querer além de mim’, ‘Você é louca!’, ‘Se você me deixar eu me mato!’ ou ‘Com essa roupa vão rir de você!’ foram destacadas como ferramentas de controle que visam minar a autoestima da mulher e isolá-la socialmente.

A DRa. Bruna Carvalho assumiu a palavra para discutir os aspectos legais de proteção às vítimas, com foco nas Medidas Protetivas de Urgência. A advogada explicou as implicações do Artigo 24-A, que tipifica o crime de descumprimento dessas medidas, ressaltando que a pena prevista é de reclusão de 2 a 5 anos, além de multa. Bruna pontuou que a configuração desse crime independe da competência civil ou criminal do juiz que deferiu o pedido e que, em casos de prisão em flagrante, apenas a autoridade judicial tem o poder de conceder fiança.

Dando sequência, a palestra contextualizou o avanço do chamado Movimento Red Pill. Bruna explicou que o termo surge de uma apropriação simbólica do filme Matrix, mas que na prática da internet se desdobrou em comunidades que disseminam ideias misóginas, naturalizando relações de dominação e inferiorização da figura feminina.

O movimento prega uma suposta ‘superioridade masculina’ e atua diretamente na deslegitimação das lutas das mulheres, resultando na perigosa normalização da violência e na culpabilização constante das vítimas. A advogada encerrou a explicação teórica com uma reflexão marcante : ‘Quando a misoginia vira ideologia, a violência vira justificável’.

Para ilustrar a gravidade e a letalidade dessas ideologias quando levadas ao extremo, a Dra. Bruna apresentou um caso real e contundente, sendo o impacto real : ‘Discurso RedPill Mata’. Em que foi exposto o caso de um Tenente-Coronel indiciado por feminicídio, cujos prints de conversas revelavam a aplicação prática de termos e comportamentos defendidos por esses grupos virtuais, incluindo exigências de que a esposa se comportasse como uma ‘fêmea beta obediente e submissa’ e o controle rigoroso sobre suas redes sociais, proibindo-a de postar fotos em que ele não estivesse presente.

O caso foi utilizado para deixar um alerta claro aos estudantes de que comportamentos de controle virtual e opressão psicológica não devem ser minimizados, pois precedem tragédias maiores, reforçando o aviso projetado no slide: ‘Mas o grito e o tapa são só o começo…’.

Ampliando a perspectiva psicológica do problema, a psicóloga Stephanie Almeida trouxe dados contundentes para demonstrar que o machismo estrutural não violenta apenas as mulheres, mas também cobra um preço altíssimo da população masculina. Sob o painel ‘O machismo também adoece os homens’, foram apresentados indicadores globais e regionais alarmantes sobre saúde mental:

– Estatísticas de Suicídio: Foi destacado que 79% das mortes por suicídio no mundo ocorrem entre homens. A especialista esclareceu que a diferença não significa que os homens sofram mais de depressão, mas sim que apresentam uma maior taxa de mortalidade por utilizarem métodos mais letais e, crucialmente, por buscarem menos ajuda profissional. Em uma escala global, o suicídio tirou a vida de 727 mil pessoas em 2021, configurando-se como uma das principais causas de morte entre jovens de 15 a 29 anos.

– Normas Tradicionais de Masculinidade: Citando a Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS), a palestra expôs como ideias enraizadas na sociedade, como : ‘homem não chora’, ‘homem resolve tudo sozinho’ e ‘homem deve suportar a dor’, criam barreiras emocionais devastadoras. Essas imposições culturais estão diretamente associadas à menor procura por serviços de saúde, a maiores índices de abuso de álcool e drogas, além de taxas elevadas de homicídios, suicídios e mortes por acidentes. E o reflexo desse comportamento de risco incentivado socialmente é severo nas Américas, onde 1 em cada 5 homens não chega aos 50 anos de idade.

E durante o evento, Stephane Almeida e a Dra. Bruna Carvalho abriram o microfone para os estudantes do polo. O espaço transformou-se em um debate enriquecedor, onde os alunos puderam tirar dúvidas sobre os canais de denúncia, o funcionamento das redes de apoio jurídico e psicológico e a importância de identificar precocemente os sinais de um relacionamento abusivo para salvar vidas, além de relatar casos reais que aconteceram ou que sofreram.

Fonte : acervo próprio.

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Embora ninguém possa voltar atrás e fazer um novo começo, qualquer um pode começar agora e fazer um novo fim.

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