Caetité – Terra Que Celebra a Liberdade: O Brilho e a Tradição na Festa da Independência.

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Nesta quarta (01/07) e na quinta (02/07), as ruas de Caetité se vestiram com as cores da nossa história para celebrar uma das datas mais importantes do calendário cívico baiano. Com o tema ‘Caetité – Terra Que Celebra a Liberdade’, o município renovou o seu orgulho e reafirmou o papel fundamental do sertão nas lutas que garantiram a emancipação política do estado e do país.

As celebrações começaram na véspera do feriado, na quarta (01/07) com a tradicional Levada da Cabocla à Pedra do Conselho, um rito que resgata a memória ancestral e a força popular que impulsionaram as batalhas pela independência.

O ápice cívico da noite ficou por conta do emocionante acendimento da Pira. A honra coube à ilustre Dona Chica, que representou com maestria, a heroína negra Maria Felipa, simbolizando a resistência e a bravura feminina na história da Bahia.

Para fechar o primeiro dia com chave de ouro e muita energia, a virada da meia-noite foi comandada pela badalada dupla de forró/piseiro Ramon e Randinho, que colocou a multidão para dançar e celebrar a chegada do Dois de Julho em grande estilo.

O amanhecer de quinta (02/07), trouxe o tão esperado desfile cívico, um verdadeiro espetáculo visual que uniu civismo, memória, educação e expressões artísticas de toda a região.

O respeito às instituições abriu alas no desfile. A representatividade e a marcha imponente das Forças Armadas trouxeram a solenidade e o reconhecimento à defesa da soberania nacional.

Faixas emblemáticas lembraram o sacrifício histórico dos combatentes: ‘Os baianos pegaram em armas em nome da autoridade do Príncipe Regente para expulsar os portugueses’.

O grande educador caetiteense recebeu uma belíssima homenagem em forma de carro alegórico, destacando que o conhecimento e a educação são as maiores ferramentas de liberdade de um povo.

Dona Chica voltou a emocionar o público no desfile oficial, desfilando no topo de um carro ladeada por crianças, personificando novamente a força da guerreira Maria Felipa.

Rompendo com as apresentações tradicionais, o público pôde prestigiar a famosa Garça de Idalino Barberino Filho. O criador, amplamente conhecido na região pela icônica tradição do Boi de Idalino, trouxe o imponente pássaro branco para encantar o cortejo.

A história institucional também foi lembrada com a representação da antiga Casa de Câmara e Cadeia (prédio histórico que hoje abriga o valioso Arquivo Público Municipal).

A ancestralidade e o ritmo tomaram conta das ruas com a potência de grupos de percussão locais. O desfile foi preenchido pela cadência e energia vibrante do Afro Omoayé e do Ilê Ilú – Batida de Tambor que arrastaram olhares e arrancaram aplausos calorosos de baianos e turistas espalhados pelo circuito.

A força da cultura popular ganhou ainda mais dinamismo com a entrada dos grupos de capoeira da região. Com seus berimbaus, atabaques e o tradicional jogo de pernas e esquivas, os capoeiristas representaram a resistência que historicamente lutou contra a opressão.

Um dos momentos mais emocionantes e aplaudidos do dia foi a celebração do centenário da Escola Normal de Caetité, destacada como uma história inteiramente dedicada à educação. O marco histórico foi brilhantemente representado pelos alunos e professores do CIEBTEC (Complexo Integrado de Educação Básica Profissional e Tecnológico).

Em uma performance emocionante, o corpo de estudantes e educadores realizou uma belíssima apresentação de dança pelas ruas. Ao som da música ‘Novo Tempo’ (Ivan Lins), o grupo transmitiu uma mensagem de esperança, reforçando o lema estampado em suas faixas: ‘Só há democracia com educação: Caetité celebra o 2 de Julho ensinando que o saber liberta o povo’.

A cultura do homem do campo e a força do sertanejo, que historicamente marchou em defesa da nossa terra, foram celebradas com imponência. O encerramento foi marcado pelo som dos cascos e pela beleza dos trajes de 21 grupos de montaria vindos de diferentes cantos do município e de cidades vizinhas, estabelecendo uma marca histórica de participação :

– Grupo de Montaria Burro Preto

– Grupo de Montaria Palmeira

– Grupo de Montaria Anguá

– Grupo de Montaria Umbuzeiro

– Grupo de Montaria Cowboy do Asfalto

– Grupo de Montaria Rancho do Cowboy

– Grupo de Montaria Cavalo de Fogo

– Grupo de Montaria Fazenda Santa Bárbara

– Grupo de Montaria Amigos de Maniaçú

– Grupo de Montaria Haras Maracaibo

– Grupo de Montaria Cavaleiros do Rei

– Grupo de Montaria Amigos de Pajeú dos Ventos

– Grupo de Montaria Ipiranga

– Grupo de Montaria Guerreiros da Paz

– Grupo de Montaria Haras Irmandade

– Grupo de Montaria Rédea Curta

– Grupo de Montaria São Sebastião

– Grupo de Montaria Fazenda Jatobá

– Grupo de Montaria Amigos

– Grupo de Montaria Os Indomáveis (Guanambi)

– Grupo de Montaria Amigos da Lua

Somando-se a isso, as tradicionais fanfarras locais ditaram o ritmo final do cortejo. Com sopros potentes e percussão marcial acelerada, elas envolveram a multidão em um clima de grande apoteose cívica.

Em paralelo ao desfile cívico nas ruas da cidade, a celebração ganhou um importante espaço de reflexão e conhecimento no Anfiteatro da Praça da Catedral (Redondo). Moradores e visitantes puderam imergir no passado da nossa região por meio das exposições dos Repositórios ao 2 de Julho e do Centenário da Escola Normal.

O espaço contou com stands repletos de materiais históricos, painéis explicativos detalhando a atuação das heroínas da independência — como a Cabocla, Maria Quitéria, Joana Angélica e Maria Felipa, além de panfletos informativos e livros disponíveis ao público.

Os projetos de exposição foram idealizados e executados em conjunto pelo Arquivo Público Municipal e pelo Museu do Alto Sertão Baiano (MASB), reafirmando o compromisso das instituições locais em manter viva a identidade cultural e a memória de Caetité para as próximas gerações.

A Festa da Independência em Caetité prova, ano após ano, que a liberdade não é apenas um fato do passado, mas uma chama viva cultivada no coração, na arte, na educação e na tradição de cada cidadão.

Fonte : acervo próprio.

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Embora ninguém possa voltar atrás e fazer um novo começo, qualquer um pode começar agora e fazer um novo fim.

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