Google terá que pagar mais de R$ 245 milhões por discriminação racial sistêmica contra funcionários negros.

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O Google vai pagar 50 milhões de dólares (cerca de 245 milhões de reais) para encerrar uma ação coletiva movida por funcionários negros que acusavam a empresa de desigualdade racial em contratação, salários e promoções. O acordo foi feito no dia 8 de maio. A empresa não admite culpa, claro, mas aceitar pagar esse valor já diz bastante.

O caso começou em 2022, puxado pela ex-funcionária Erika Herlie, que acusou o Google de um padrão sistêmico de discriminação. Segundo o processo, trabalhadores negros eram direcionados para cargos de menor nível e pior remuneração, e quem reclamava ainda enfrentava um ambiente de trabalho hostil. Outros ex-funcionários entraram na ação, que virou coletiva e reuniu cerca de 4 mil trabalhadores.

Um detalhe que chama a atenção: recrutadores usavam o termo ‘Googly’ como critério informal de contratação e, segundo a ação, esse termo funcionava como código para excluir candidatos negros. É o tipo de discriminação que não aparece em nenhum manual, mas opera silenciosamente dentro da cultura da empresa.

O acordo inclui, além do pagamento, auditorias de equidade salarial, mais transparência nas faixas de remuneração e restrições ao uso compulsório de arbitragem em disputas trabalhistas. São medidas concretas, e o fato de precisarem ser impostas judicialmente revela o quanto a autorregulação do setor de tecnologia ainda falha quando o assunto é diversidade real.

Uma empresa que coloca ‘não seja do mal’ como lema corporativo levou anos para responder judicialmente por tratar funcionários negros como descartáveis. Quanto tempo vai demorar para o setor de tecnologia encarar esse problema sem precisar de uma ação coletiva para mover a agulha ? Fica a dúvida.

Fonte : Nagib Carrilho / Star FM 105.9.

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