Uma coalizão de mais de 70 entidades, entre grupos de direitos civis, combate à violência doméstica e proteção a imigrantes, enviou uma carta aberta a Mark Zuckerberg exigindo o cancelamento do plano de integrar reconhecimento facial aos óculos Ray-Ban.
Não estamos falando de um pedido por mais controles ou salvaguardas. A exigência é para enterrar o projeto de vez. O recurso em questão se chama NameTag e funciona assim: a IA dos óculos cruza o rosto de qualquer pessoa com perfis públicos do Instagram e do Facebook, entregando nome, dados e informações pessoais em tempo real para quem está usando o dispositivo.
Imagine isso nas mãos de um stalker ou agressor. A carta diz abertamente isso, e não é exagero. O problema vai além do reconhecimento facial. Os óculos já são discretos demais; uma pequena luz é o único sinal de que estão gravando. Com identificação biométrica em tempo real, a privacidade em espaços públicos simplesmente deixaria de existir, afetando desde clínicas de saúde até abrigos para vítimas de violência doméstica.
A Meta ainda não cancelou nada e, enquanto a empresa avalia sua resposta, o New York Times aponta que o lançamento do recurso está previsto ainda para 2026. No Brasil, um projeto de lei já foi apresentado no Congresso para regular o uso desse dispositivo. A tecnologia chegou antes da lei, como quase sempre.
E a pergunta que fica é: quando um óculos consegue identificar um estranho na rua antes que ele diga uma palavra sequer, o que ainda sobra de anonimato no espaço público ? Fica a dúvida.
Fonte : Nagib Carrilho / Star FM 105.9.



