A inteligência artificial está entrando em uma nova fase na indústria da música. E desta vez não é apenas por meio de artistas independentes ou ferramentas que qualquer pessoa pode usar. A Universal Music Group, uma das maiores gravadoras do mundo, fechou um acordo de vários anos com a ElevenLabs, empresa conhecida por suas tecnologias de voz e áudio com inteligência artificial. A parceria prevê o desenvolvimento de uma nova plataforma de músicas com IA.
A ideia é permitir que fãs possam, usando músicas licenciadas e com a participação dos artistas, criar remixes, mashups, novas interpretações e experiências vocais personalizadas. E existe uma diferença importante aqui: o projeto não será baseado em conteúdo autorizado, ou seja, a proposta é que os artistas e compositores participem e também recebam pelos usos gerados a partir de suas obras. O CEO da Universal Music, Lucian Grainge, disse que as possibilidades mais interessantes da IA na música são aquelas que colocam artistas, compositores e fãs no centro. Segundo ele, a tecnologia pode criar novas formas de interação e também novas fontes de receita para a comunidade criativa.
Já o CEO da ElevenLabs afirmou que a combinação entre a experiência da Universal na gestão de direitos e os modelos de inteligência artificial da empresa podem permitir novas experiências para os fãs, com remuneração justa para os artistas e compositores. E essa parceria acontece justamente quando a IA já está sendo utilizada de maneira menos visível na produção musical. No Brasil, profissionais da indústria brasileira musical afirmam que ferramentas de IA já aparecem em produções artísticas bem diferentes e dizem que a tecnologia pode ajudar desde letras e instrumentais até arranjos, corais, vozes e etapas de produção.
O problema é que esse avanço também traz uma discussão importante: quem é o dono da música criada com IA? Agora, com grandes gravadoras começando a fechar acordo de licenciamento, a indústria parece estar tentando transformar uma tecnologia que já chegou à música em um modelo mais controlado e comercial. E fica a pergunta: se a inteligência artificial pode ajudar a criar, transformar e até reproduzir elementos de uma música, onde termina a ferramenta e começa a autoria humana ? Fica a dúvida.
Fonte : Nagib Carrilho / Rádio Web Naftalina.



