A Meta anunciou ajustes no seu polêmico programa de rastreamento interno. O software, instalado nos computadores de funcionários nos Estados Unidos, captura movimentos de mouse, cliques e digitações para treinar modelos de IA. E isso gerou resistência imediata dentro da empresa.
Depois de semanas de pressão interna e mais de mil assinaturas em uma petição contra o programa, a empresa cedeu em parte. Agora, os funcionários podem pausar a coleta de dados por até 30 minutos de cada vez e solicitar exceções. Também houve ajustes técnicos para reduzir o consumo de bateria e tráfego de internet, porque o sistema estava elevando até a conta de dados dos funcionários em casa.
O problema é que recuar em parte não é o mesmo que recuar. Na prática, a maioria dos funcionários ainda terá seus movimentos rastreados e registrados. Zuckerberg já deixou claro a posição dele. Em áudio vazado de uma reunião interna, defendeu o programa dizendo que observar pessoas inteligentes trabalhando é a melhor forma de acelerar o aprendizado da IA.
E o contexto é pesado. O programa foi lançado logo antes de a empresa demitir 8 mil funcionários e realocar milhares de outros para funções de IA. Na União Europeia, onde a Meta já enfrenta disputas regulatórias intensas sobre o uso de dados, a iniciativa pode criar novos problemas jurídicos.
No fim das contas, a Meta não desativou a vigilância, só colocou um botão de pausa nela. Isso é concessão ou gestão de imagem ? Fica a dúvida.
Fonte : Nagib Carrilho / Star FM 105.9.



