No último sábado (21/03), o auditório da Casa Anísio Teixeira tornou-se o epicentro das decisões culturais de Caetité. A V Conferência Municipal de Cultura reuniu artistas, produtores, comunidades tradicionais e autoridades para validar o Plano Municipal de Cultura (PMC), um documento estratégico que define as diretrizes e metas para o setor pelos próximos dez anos (2026-2036).
O novo plano, construído sob o rito do Decreto nº 096/2026, deixa de ser uma plataforma de governo para se tornar uma política de Estado. Dividido em 11 eixos estratégicos, o PMC abrange desde a preservação do patrimônio arqueológico e imaterial até o fomento direto a áreas como música, audiovisual e artesanato.
Convidado especial do evento, Shaolin Barreto, Conselheiro Nacional de Política Cultural e Secretário Estadual de Cultura do PT, enfatizou a importância da organização municipal para a captação de recursos : ‘O que estamos fazendo aqui hoje é garantir que, nos próximos dez anos, a cultura não seja apenas um evento isolado, mas uma política pública sólida. Quando uma cidade se organiza e vota seu plano, ela se habilita a receber investimentos federais de forma muito mais fluida. O PMC é a bússola que vai guiar o desenvolvimento artístico desta terra até 2036.’
O diferencial desta conferência foi a forte presença da sociedade civil. Durante os debates, a tônica principal foi a descentralização dos recursos. Representantes de distritos rurais e comunidades quilombolas defenderam que o plano seja um ‘documento vivo’, capaz de chegar onde o artista está.
Para uma das artesãs presentes, a cultura precisa ser vista como economia : ‘O plano precisa prever espaços de comercialização permanente em Caetité, e não apenas em datas festivas. A cultura também é o nosso sustento’, afirmou. Já representantes das comunidades tradicionais reforçaram a proteção da memória: ‘Nossa memória é patrimônio. O plano deve garantir que nossos saberes sejam protegidos por lei’.
Ao final do evento, foi consolidada a nova composição do Conselho Municipal de Política Cultural. O grupo, paritário e diverso, conta com delegados de setores como:
– Memória e Patrimônio (AMPIC)
– Artesanato e Culturas Populares
– Música e Artes Cênicas
– Povos de Matriz Africana e Quilombolas
– Instituições de Ensino (Instituto Anísio Teixeira e UNEB)
Este colegiado terá a missão de monitorar e fiscalizar a execução das metas decenais, garantindo que o que foi discutido na Casa Anísio Teixeira se transforme em realidade prática.
Com a validação da Conferência, o texto final do Plano segue agora para o rito legislativo na Câmara de Vereadores. Após a votação e sanção do Executivo, o Plano Municipal de Cultura passará a ter força de lei, assegurando orçamento e continuidade para as ações culturais de Caetité até a próxima década.
Fonte : acervo próprio.



