A Conferência do Clima da ONU, a COP30, que começou nesta segunda (10/11) em Belém/PA, com o desafio de transformar em ação as sucessivas rodadas de promessas dos países sobre o combate ao aquecimento global.
191 países confirmaram o credenciamento e são, portanto, esperados para as negociações. Eles vão buscar acelerar a implementação de medidas que contribuam para a queda das emissões de gases de efeito estufa.
A transição energética para uma economia de baixo carbono, com o abandono gradual da produção e o consumo de petróleo e carvão, é uma meta crucial para a humanidade evitar uma alta de até 2,8 graus nas temperaturas globais até o fim deste século. A presidência brasileira do evento mantém viva a esperança de limitar esse aumento no máximo a 1 grau e meio.
Na cúpula do clima, realizada na quinta e na sexta com chefes de estado e de governo, o Brasil pediu que a conferência entregue um mapa do caminho para superar a dependência dos combustíveis fósseis.
Em volta da mesa de negociações, poucos países concordam em começar essa conversa, e ainda menos têm bons resultados a apresentar :
O próprio Brasil assume as suas contradições ao se lançar aí em uma nova frente de exploração de óleo em plena foz do Amazonas e, ao mesmo tempo, o governo brasileiro deseja que os recursos do petróleo financiem a transição energética.
No mundo, as guerras na Ucrânia e em Gaza acabaram desviando os recursos financeiros que deveriam financiar esse objetivo e também a adaptação às mudanças do clima, em benefício dos gastos militares. E aí plantas de carvão foram relançadas mundo afora, enquanto, em paralelo, a expansão das renováveis bate recordes. Em 2024, fontes energéticas como a solar e a eólica representaram cerca de 32% da geração global de eletricidade, conforme a Agência Internacional de Energia.
E por trás dessa revolução em curso está a China que vê a transição como um setor estratégico e é responsável por baixar os custos mundiais de painéis solares, baterias e outros equipamentos fundamentais para essa mudança acontecer. É esperada uma atuação ativa da diplomacia chinesa não apenas na COP30 em si, como também em acordos negociados entre países ou blocos de países à margem das discussões oficiais da conferência.
Já os Estados Unidos, governados por um presidente negacionista, estarão oficialmente ausentes das discussões, mas o setor privado americano, a academia e organizações do país, além de uma comitiva de líderes do Partido Democrata, devem participar do evento, lembrando que o país é o segundo maior emissor de gases de efeito estufa do planeta.
E quanto ao financiamento, este é um tema sempre muito delicado nas conferências, em que os países vão discutir um pacote proposto pelas presidências desta COP e da anterior, no Azerbaijão, para começar a solucionar esses impasses. Em 2024, houve um acordo para viabilizar 1 trilhão e 300 bilhões de dólares por ano até 2035 para as nações menos desenvolvidas, porém não se chegou a determinar como vai ser possível atingir esse valor.
O aspecto da transição justa é prioritário para a diplomacia brasileira e deve ser uma das entregas dessa conferência, segundo aposta Estela Herschmann, especialista em negociações climáticas do Observatório do Clima : ‘Provavelmente vai ser um programa que a gente vai ter uma decisão significativa e que a sociedade civil tem pedido por um mecanismo que fale da implementação dessa transição justa. Então, isso pode ser um legado importante para o Brasil, até a proposta do nome do mecanismo é Mecanismo de Belém. Então, né, marca aí o nome da cidade sede da COP entrando para os anais da história das COPs.’
E quanto à adaptação às mudanças do clima, o objetivo vai ser conseguir definir indicadores que possibilitem mensurar os avanços dos países no enfrentamento de secas, enchentes, incêndios e outros impactos.
O evento é também uma ocasião para a sociedade civil discutir e apresentar as suas soluções e muitas delas bem diferentes do que é negociado oficialmente dentro da COP, não é Lúcia?
Do lado de fora do centro de conferências da Amazônia, 1.100 movimentos sociais de mais de 60 países vão realizar uma anti-COP, que é a Cúpula dos Povos. O Movimento pela Soberania Popular na Mineração, por exemplo, vê a transição energética como mais uma forma de exploração do Sul Global pelas potências mundiais, como explicou Isabelle Miranda, dirigente desse movimento : ‘Pelo que está posto é de que é uma transição que não inclui os povos, né? É uma transição feita de cima para baixo. A gente está falando de uma expansão energética, a gente não está falando de uma transição. Essa transição energética, ela não nos contempla, né? Onde a gente vai consumir ainda mais a questão dos minerais, né? Os minerais críticos, as terras raras e tantas outras coisas.’
Neste domingo (09/11), na véspera da abertura da COP30, o Secretário Executivo da Convenção Quadro da ONU sobre as Mudanças Climáticas, Simon Stiell, reforçou que o evento precisa conectar a ação climática com a vida real das pessoas.
Fonte : Agência Rádioweb



